sexta-feira, 19 de junho de 2009

Consumada

Coso os retalhos à mão.
As costas doloridas se rendem à exaustão.
A abundância do destino sempre me foi negada.
Nunca as coisas foram como sempre.
Sempre foram opostas.
E eu nunca me importei se senti dor
Ou não.
Se chorei.
Ou não.
Vivi absorta.
Esperando que os degraus da frente fossem encerados.
E se me faltava flores,botava minhas barbas de molho
aconchegada, contemplando.
Todas aquelas noites que sonhei contigo
te chamava, e você não ouvia.
Eu roçava o rosto na almofada
ensaiava uma dança da esperança
te pedia uma flor
te prometia minha mão
E acordava a um passo de um baile de máscaras.
Mas eu não me importo mais.
Nem com os sentidos.
Nem com a fome.
Tenho olhos.
e pássaros.
braços.
e minha contemplação.

3 comentários:

Dulce disse...

Fafi,
que lindo!... lindos versos, e no post acima uma janela de fazer sonhar...
Tão bom vir aqui, a alma descansa diante do belo.

beijos

Pitanga Doce disse...

Que bom chegar aqui e encontrar a amiga Dulce!

bom dia

Úrsula Avner disse...

Belo, tocante, inspirado texto poético. Bjs.