segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Há tanto a dizer
Mas a palavra travou.
Áspera.

 Alheia ao momento
em que cato ás avessas
   a verdade

 em capítulos
...




quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Eu sei


Se eu berrasse toda minha dor, talvez eu não estivesse aqui como pugilista, me nocauteando ainda no primeiro round.
Não,não estaria.
Talvez eu pudesse digerir o mantra da semana: Eu sei....eu sei....eu sei....eu sei...
Eu sei de tudo, mas não quero saber.
eu sei que não tem mais volta.
Mas não quero saber.
Eu sei que seus olhos estão em outra pessoa.
Mas não quero saber.
Não quero saber de nada.
está tão escuro... Vamos abrir a janela, vamos?
De repente se sol entrar, tudo melhora.
Tudo não ficaria assim...tão....
sem você.
Eu sei.
Tenho que aprender daqui pra frente.
Eu sei.
Nunca mais seus olhos de céu sobre mim.
Eu sei.
Caminhos opostos.
Direção inversa.
O caminho é para lá.
Eu sei.
eu sei.

Arruma um canto pra eu chorar.

(Postado Originamente  no endereço:http://ziriguidumpower.blogspot.com/)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009


(imagem Maggie Taylor)

Chuva





Chove manso no telhado.
Procuro a chave para abrir a porta.
Mas descubro que estou fechada por dentro.
E o pior de tudo: Estou molhando nessa chuva fria.




(Publicado no Livro " Na Rota/ 2004)


quarta-feira, 28 de outubro de 2009


" Me sinto Livre para fracassar"

Para sentar no banco e chorar todo tempo que perdi dilacerando...

Me sinto livre para voltar atrás e começar uma nova escrita
que não terá fadas veladas nem vigas de carvalho.

Me sinto livre...

Infinitamente liberta das amarras das coisas gratuitas.
Os abismos dão pequenos arranhões, e vou seguindo sem fazer sonetos.

Ser. Não ser. Tempo para estar.

Se reconhecer.
e voltar a pé do meio do caminho.

sábado, 24 de outubro de 2009

Vestido de Abelhas


Essa imagem da Maggie Taylor postada acima me inspirou de tal e qual, que
me fez compor.


Ela vestia um vestido de abelhas
numa manhã de um dia comum.

Ela visitou cogumelos, assanhou passarinhos
e mutuamente cantou estrelas e redemoinhos.

Por andou deixou saudade
largou seus rastros a passos largos
Desfez as gramas
Enquanto os pés de amendôas escondiam as rolinhas.

Anoiteceu
e enquanto a chuva entupia as rosas
ela chorou um vale de mel.

Não havia múrmurios na calada da noite.
Apenas sonhos esquecidos, lamuriando-se,
à escolha da vizinhança.

Publicado também no Diario da Fafi