quinta-feira, 27 de março de 2008


(Noche de los pobres- Diego Rivera)
Amanhã
Vou caçar passarinhos
E enfeitar a casa
Com as rosas que acabaram de abrir

Vou fechar as janelas
E procurar entre as paredes
Motivos para empalhar as minhas dores.
Tão sofridas.
caladas,
desesperadas.
Venci a distância
E calei meu desejo com um beijo.
Agora, estou ardendo entre as pernas.
Sou feita de recantos
Onde me escondo
Quando tudo fica óbvio.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Expurgo

Te pedi um presente,
e tu me deste um anel de pedra falsa.

Te pedi uma bebida
e tu me deste, uma taça de fel.

Te pedi um exemplo de vida,
e tu me deste uma reprodução
de Frida Khalo transmutada de
cervo infeliz.

Como eu.
Um quebra-cabeça inventivo
Com a vida dilacerada, costurada
e retalhada tantas vezes que
nela me perdi.

*Com essa poesia conquisei o terceiro lugar no Concurso Poesia no Varal em 2006.
Antes a vida mal vivida
que a morte desconhecida.